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Palavras sobre o Mundo

Espaço destinado aos ecos, silêncios e construção do pensamento. Aos limites da racionalidade, mas sobretudo na reflexão sobre a grande pólis que embarcamos todos os dias, nesta vida. O mundo, seja bem-vindo.

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O que não devemos aprender com a França

por Tiago Aboim, em 29.11.16

Sempre nos ensinaram que a França foi o palco onde a liberdade e igualdade venceram. Em 1789, aí ocorreu a mais profunda transformação social de que somos seus filhos. O fim da estratificação social deu lugar aos cidadãos de direito pela lei, e não o direito pelo sangue ou pelo berço. Os ecos de liberdade, igualdade e fraternidade atingiram a Europa e transformaram a época de oitocentos na afirmação do liberalismo, salvo algumas exceções.

 

No Século XX, a França foi marcada e traumatizada por duas guerras mundiais que ceifaram a vida a muitos franceses, deixando marcas profundas na identidade da França e nas suas posições tomadas ao longo deste período.

 

Hoje, é um país diferente daquele que conhecíamos à entrada para o novo milênio. No princípio do século XXI, a doutrina Chirac, impunha o princípio pacífico de não agressão juntamente com a Alemanha de Gerard Schoerer. No que podemos designar no primeiro eixo franco-alemão do novo século, onde a posição de rejeição à intervenção dos Estados Unidos no Iraque foi o facto mais forte desta aliança.  Esta aliança, viria a ter novos protagonistas devido à mudança de inquilinos nas residências destes dois países.

 

Nos campos Elíseos, chegava a Presidente Nicolas Sarkosy e desde 2005,no Bundestag a Chanceler alemã, Ângela Merkel. Ambos da mesma família política, assumiram uma estratégia comum na resposta à crise internacional, a austeridade. Uma ideia concebida como espécie de cura para uma Europa contamida pelo vírus das clivagens dos mercados financeiros, banca e dívidas soberanas. Uma doutrina alimentada pelo eixo Berlim-Paris que colocou a Europa numa divisão por  alograma, a Europa do Norte(ricos) e Europa do Sul(pobres).

 

Poderemos aqui ter vários considerandos sobre a forma como foi ou não, resolvida a crise. Importante é realçar que a partir da crise de 2008, acordaram alguns fantasmas que outrora alguns julgavam adormecidos. O nacionalismo e a segregação racial ou/e étnica no espaço europeu.

 

Algumas dessas pessoas, vieram da região do Magreb e do Médio Oriente, face às convulsões políticas aí ocorridas, tais como a Primavera Árabe.A sua chegada a território francês não foi bem recebida, por alguns setores mais conservadores da socideade francesa. Estes emigrantes foram deslocados para os subúrbios das principais cidades francesas, onde se destacam Paris ou Marselha, onde por vezes são responsabilizados pelo aumento da criminalidade e da marginalidade em solo francês.

 

Em 2012, é chegada a possível alternativa, vinda do Partido Socialista Francês(PSF), François Hollande. Um politico desconhecido mas que alimentava o sonho de uma mudança política na França e de apresentar uma nova visão para a Europa. Era a esperança da maioria dos franceses que depositaram em si o voto na mudança.

 

Na realidade, volvidos quase 5 anos após a sua eleição a França está diferente e para pior. Assumiu uma postura de intervenção em alguns pontos do Globo, inclusivé com participação militar, nomeadamente no Mali, no entanto,não garantiu os resultados esperados.

 

É durante o seu consulado que a França viveu o terror do medo. Ninguém se esquecerá das imagens dos atentados ao Charlie Hebdo, do som dos tiros que silenciaram o Bataclan. E já este ano, o ataque a Nice. Uma França convertida num estado securitário perante a constante ameaça terrorista.

 

Aliado a esta situação, um agravamento da situação económica-financeira do país, da possível ocultação das suas contas públicas desde 2012, bem como na constante tensão social entre trabalhadores e patrões. O consulado de Hollande coadjuvado por Manuel Valls, fez com que a propagação de ideias populistas assumissem uma tremenda magnitude na cena política francesa, relegando o PSF para uma posição de espectador nas próximas eleições gerais em França.

 

A volatilidade de Hollande deu espaço político à extrema direita francesa, que assume o compromisso de devolver a França aos franceses e de referendar a sua posição na Europa. Os sinais são animadores para a Frente Nacional, nomeadamente com os sinais vindos do exterior, como o Brexit em Junho, a eleição de Trump, a possível vitória da extrema direita nas eleições presidenciais na Áustria e no incerto resultado do referendo em Itália. Se os sinais internos não são os mais animadores, do ponto de vista exterior não poderia ser pior. Pois bem, beneficiando destas condições torna-se  num terreno fértil para a plantação de ideias nacionalistas, tais como, o protecionismo económico, a expulsão de emigrantes e referendar a posição francesa na União Europeia.

 

O combate político francês na Primavera está nivelado à direita, sendo urgente que o PSF (re)surja com uma nova visão para a França, assente na valorização do projeto europeu e no aproximar das suas posições junto dos trabalhadores e da população francesa.

 

E o que fica da Europa no caso de uma vitória da Extrema Direita, em França?Só lhe resta uma opção, ser uma espectadora, num filme onde alguns são produtores e outros até mesmo realizadores.

 

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